Hoje é dia de abandono.
Abandono quem eu era.
Abandono minha fraqueza. Essa de sempre. Que tem me impedido de manter minhas decisões. De terminar minhas metas. De transpor meus limites.
Abandono minhas próprias ignorâncias. Essas que cortam minhas asas. Que me cegam, me impedem de abrir novos olhos. De enxergar com sentimento. Abandono-as e dou lugar a outras. Porque humanos e limitados que somos, sempre nos cercaremos de ignorâncias. E a a sabedoria é quebrar o máximo da nossa própria cegueira, quanto for possível. Ser sábio é ter consciência da sua própria ignorância.
Abandono o que tem me feito mal. E que por uma triste insistência, talvez esperança, tenho tentado manter.
Abandono as mentiras, as fantasias, as ilusões.
Abandono meu mundo. Pra uma caminhada longa que é a de compreender os tantos mundos de tantos outros.
Abandono meu comodismo. Minha inércia. Meu nada, meu tudo.
Hoje é dia de abandono, de escolha.
Hoje é dia de abandono. E talvez eu vire muitas e muitas páginas. Talvez eu termine um livro inteiro. E comece outro.