Promete-me uma coisa.Uma pequeninha que me atormenta. Promete-me que nada disso vai mudar... Isso que a gente vivencia aqui, agora. O que a gente construiu até hoje e que tantas vezes sentamos e fizemos a promessa de que sempre, pra sempre, pra todo o sempre, seria assim e que inúmeras vezes vimos, em outros casos fracassar. Que esse momento vai ser pra sempre real e não como uma lembrança distante. Sim, meu bem, eu sei que mesmo que como lembrança me traria um sorriso. Mas quero mais que um sorriso nostálgico me fazendo lembrar que passou. Quero a lembrança de algo contínuo que perdura e permanece. Refaz-se, transforma, forma e contorna, mas que se fortalece. Me conforta, é certeza minha, tão ínfima que nem precisa ser dita.
Sabe, um dia, quando era mais moça, me fazia ter a certeza dessa lembrança certeira, permanente. De te-la, acalmava meu coração. De te-la, nem me permitia ter medo do fim. Fim... É, concordo. É relativo mesmo o fim. Mas hoje, não tão moça mais, a inocência me foi tirada e sei como a realidade é incerta. E como é difícil encaixar tantas realidades numa só. Fazer seguir a vida, junto com outra vida e tomar o cuidado pros caminhos não se distanciarem. Sei como é difícil. Sei... Mas acredito termos algo forte... Que não nos deixe traçar rotas tão diferentes. Meu bem, eu acredito nisso, você acredita também? Ah, que bom! Então me promete, me promete que as coisas vão ser sempre assim como hoje.
E você, sem conseguir me encarar disse: É claro que eu prometo. Mas na sua voz sentia o mesmo medo que o meu. A mesma insegurança...Você ,também, já não era tão inocente. E já não tinha mais certeza, como eu. O que nos resta é a promessa de um dia, lembrarmos de tudo, com a mesma veracidade que há anos atrás. E esperar que o tempo não apague momentos como hoje, que tivemos medo da mudança, da vida e do que nos aguardava. Medo de tudo ter o mesmo fim: lembranças, apenas lembranças.
