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Uma Confissão - Tolstói
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Calo-me...

As palavras são tão fugidias como o vento e o que eu tinha pra dizer também se foi com ele. Já não sei o que era, já não lembro o que senti ou o que fui a segundos atrás. Assim são essas coisas internas, se não forem externalizadas imediatamente se perdem no fosso que cavamos em nós mesmos. Ah esse vazio, cheio das palavras desperdiçadas, dos momentos perdidos, dos rabiscos jogados ao vento, da voz que emudeceu. A esse vazio tão cheio de outros eus que adormeceram no peito do tanto que silenciados foram.  Os momentos se vão, esfriam como o chá que está na minha frente e que esqueci de beber. Agora o gosto já não é o que se espera. Calei-me de novo...deixei passar...Já nem sei a que eu de mim reclamo esse tempo perdido. A vida é esse perder-se? O deixar ir esses ecos tão baixos, tão distantes...O que é agora afinal? O agora é tão frágil quanto o que já foi ou o que nem é...No que se segurar sem o chão firme debaixo dos pés? O agora é tão vazio...logo passa e escapa entre os dedos...

A aventura começa quando saímos de casa.

Marina Colasanti compara dois personagens lendários da literatura: Dom Quixote e d'Artagnan. São histórias de séculos diferentes, mas coincidem no amor que despertam no leitor, ainda hoje. Porque as pessoas amam tanto Dom Quixote e d'Artagnan? Porque os dois personagens começam suas aventuras quando saem de casa. Os dois pegam seu cavalo velho e vão explorar um mundo maior que o seu próprio, os dois apanham e recorrem ao remédio feito pelas mães. Dom Quixote e d'Artagnan são todos nós saindo das nossas casas e adentrando em uma aventura nova. Toda aventura começa desse ato de desprendimento de um mundo conhecido para um que nos é estranho e assustador. Todos nós, como Dom Quixote e d'Artagnan, irrompemos porta a fora em busca de algo mais, carregando um cavalo velho, o que nossa família pode nos dar pra enfrentar a vida lá fora. E apanhamos, de certa forma, precisando recorrer ao amor dos nossos pais, voltar pro nosso porto seguro e nos curar. Todos nós fazemos...
"Às vezes é preciso recolher-se. O coração não quer obedecer, mas alguma vez aquieta; a ansiedade tem pés ligeiros, mas alguma vez resolve sentar-se à beira dessas águas. Ficamos sem falar, sem pensar, sem agir. É um começo de sabedoria, e dói. Dói controlar o pensamento, dói abafar o sentimento, além de ser doloroso parece pobre, triste e sem sentido. Amar era tão infinitamente melhor; curtir quem hoje se ausenta era tão imensamente mais rico. Não queremos escutar essa lição da vida, amadurecer parece algo sombrio, definitivo e assustador. Mas às vezes aquietar-se e esperar que o amor do outro nos descubra nesta praia isolada é só o que nos resta. Entramos no casulo fabricado com tanta dificuldade, e ficamos quase sem sonhar. Quem nos vê nos julga alheados, quem já não nos escuta pensa que emudecemos para sempre, e a gente mesmo às vezes desconfia de que nunca mais será capaz de nada claro, alegre, feliz. Mas quem nos amou, se talvez nos amar ainda há de saber que se nossa essên...
Sumi porque só faço besteira em sua presença, fico mudo quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro antes, durante e depois de te encontrar. Sumi porque não há futuro e isso não é o mais difícil de lidar, pior é não ter presente e o passado ser mais fluido que o ar. Sumi porque não há o que se possa resgatar, meu sumiço é covarde mas atento, meio fajuto meio autêntico, sumi porque sumir é um jogo de paciência, ausentar-se é risco e sapiência, pareço desinteressado, mas sumi para estar para sempre do seu lado, a saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua desajeitada e irrefletida permanência. Martha Medeiros

Filosofia, um projeto de vida.

“A verdadeira filosofia é reaprender a ver o mundo” Merleau Ponty O que é filosofia? A vida cotidiana do homem é cheia de conceitos pré-estabelecidos, ou como disse Chaui de “crenças silenciosas”. Acreditamos no bem, no mal, no justo, injusto, na mentira, verdade. O homem, como um ser social, estabelece valores pelos quais consegue “ordenar” a sociedade e viver harmonicamente em conjunto. Aceitamos tais valores, porque facilitam a vida cotidiana sem que se torne necessário que nos preocupemos o tempo todo se cada ação tomada está certa ou errada. Temos amigos, família, votamos em ano de eleição, trabalhamos. Mas não paramos pra nos questionar o que é amizade, família, ou o que é política e qual a sua importância pra nossa vida ou nem sequer nos indagamos sobre o valor do nosso trabalho e do trabalho do outro.  A filosofia se encontra nesse limiar. Fica entre a nossa vivência, nossas crenças e os porquês de cada uma delas. A filosofia é não...

Poemas da amiga - Mário de Andrade

Poemas da amiga VII Gosto de estar a teu lado, Sem brilho. Tua presença é uma carne de peixe, De resistência mansa e de um branco Ecoando azuis profundos. Eu tenho liberdade em ti. Anoiteço feito um bairro, Sem brilho algum. Estamos no interior duma asa Que fechou. De Poemas da Amiga Mário de Andrade