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Calo-me...

As palavras são tão fugidias como o vento e o que eu tinha pra dizer também se foi com ele. Já não sei o que era, já não lembro o que senti ou o que fui a segundos atrás. Assim são essas coisas internas, se não forem externalizadas imediatamente se perdem no fosso que cavamos em nós mesmos. Ah esse vazio, cheio das palavras desperdiçadas, dos momentos perdidos, dos rabiscos jogados ao vento, da voz que emudeceu. A esse vazio tão cheio de outros eus que adormeceram no peito do tanto que silenciados foram. 
Os momentos se vão, esfriam como o chá que está na minha frente e que esqueci de beber. Agora o gosto já não é o que se espera. Calei-me de novo...deixei passar...Já nem sei a que eu de mim reclamo esse tempo perdido. A vida é esse perder-se? O deixar ir esses ecos tão baixos, tão distantes...O que é agora afinal? O agora é tão frágil quanto o que já foi ou o que nem é...No que se segurar sem o chão firme debaixo dos pés? O agora é tão vazio...logo passa e escapa entre os dedos, pior que fumaça. O que cabe agora é a memória? É a única coisa que tenho? Mas ela não sabe mais o que é ser, é só um retrato, um retrato...Não consegue expressar com exatidão o que foi-se pra além dela mesma. Então ela se cala, calo-me. 

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