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A aventura começa quando saímos de casa.




Marina Colasanti compara dois personagens lendários da literatura: Dom Quixote e d'Artagnan. São histórias de séculos diferentes, mas coincidem no amor que despertam no leitor, ainda hoje. Porque as pessoas amam tanto Dom Quixote e d'Artagnan? Porque os dois personagens começam suas aventuras quando saem de casa. Os dois pegam seu cavalo velho e vão explorar um mundo maior que o seu próprio, os dois apanham e recorrem ao remédio feito pelas mães. Dom Quixote e d'Artagnan são todos nós saindo das nossas casas e adentrando em uma aventura nova. Toda aventura começa desse ato de desprendimento de um mundo conhecido para um que nos é estranho e assustador. Todos nós, como Dom Quixote e d'Artagnan, irrompemos porta a fora em busca de algo mais, carregando um cavalo velho, o que nossa família pode nos dar pra enfrentar a vida lá fora. E apanhamos, de certa forma, precisando recorrer ao amor dos nossos pais, voltar pro nosso porto seguro e nos curar. Todos nós fazemos amigos aos quais nos seguramos no decorrer do caminho. Me vi nas palavras de Cervantes e Dumas como nunca tinha me visto. É o momento que vivo agora. Seguro meu cavalo velho e sigo andando por aí sem saber exatamente pra onde olhar e pra onde ir, tudo me é muito estranho. Machuco os pés quando caminho sobre as pedras duras e me conforto com todos os abraços que ganho pelo caminho. Sempre tive a sensação de que a minha vida ainda estava pra começar, que dobrando uma esquina alguma coisa me pegaria de surpresa pra me mostrar que aquele era o ponto inicial. Ou que eu escutaria o tiro de partida. Ou que me diriam o que fazer pra começar. Ou que eu precisaria me realizar primeiro. Mas minha aventura começou quando enfrentei o medo de sair de casa. Carreguei a bagagem que meus pais me deram. Vez ou outra volto pra eles e me curo. É esse caminhar pra fora de nós mesmos, o primeiro passo pra fora de casa, que nos torna heróis da própria história ainda por se escrever com o andar dos nossos pés. Me lembra Heidegger em “O caminho do campo” quando fala que crescer é olhar pro céu, mas ainda ter os pés na sua terra natal. Porque “(...) crescer significa: abrir-se à amplidão dos céus, mas também deitar raízes na obscuridade da terra; que tudo o que é verdadeiro e autêntico somente chega à maturidade se o homem for simultaneamente ambas as coisas: disponível ao apelo do mais alto céu e abrigado pela proteção da terra que oculta e produz”. Acho que estou crescendo, enfim. 

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