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Filosofia, um projeto de vida.






“A verdadeira filosofia é reaprender a ver o mundo”


Merleau Ponty






O que é filosofia?


A vida cotidiana do homem é cheia de conceitos pré-estabelecidos, ou como disse Chaui de “crenças silenciosas”. Acreditamos no bem, no mal, no justo, injusto, na mentira, verdade. O homem, como um ser social, estabelece valores pelos quais consegue “ordenar” a sociedade e viver harmonicamente em conjunto. Aceitamos tais valores, porque facilitam a vida cotidiana sem que se torne necessário que nos preocupemos o tempo todo se cada ação tomada está certa ou errada. Temos amigos, família, votamos em ano de eleição, trabalhamos. Mas não paramos pra nos questionar o que é amizade, família, ou o que é política e qual a sua importância pra nossa vida ou nem sequer nos indagamos sobre o valor do nosso trabalho e do trabalho do outro. 


A filosofia se encontra nesse limiar. Fica entre a nossa vivência, nossas crenças e os porquês de cada uma delas. A filosofia é não aceitar, sem uma investigação profunda, todas as verdades pré-estabelecidas. É sempre estar em dúvida e procurar respostas que expliquem o que vivemos, como vivemos, porque vivemos. Olhar mais a fundo. Não se contentar com o que está diante dos nossos olhos.


Como nasce um filósofo ou como o amor à filosofia nasce dentro do homem? Inquietude. Acredito que a principal característica de quem adentra nesse mundo cheio de questionamentos e verdades é a inquietação diante do que nos é dito, ou posto diante dos nossos olhos. O olho do filósofo é insaciável, acho eu. 


Sabe essa dúvidazinha, essa curiosidade que te espeta como agulha. Fica atrás da orelha te dizendo que alguma coisa não está certa. A curiosidade irascível é o que um amante da filosofia tem ou precisa ter. Querer questionar tudo. Principalmente suas próprias verdades. Sempre o “Mas e se...”. Ou os tantos porquês escondidos atrás de cada verdade. 


O amante da filosofia sabe se colocar a parte, se distanciar do cotidiano, dizer não ao que já conhece olhando-o como se fosse pela primeira vez. E como se precisássemos aprender tudo sobre o mundo e sobre nós mesmos de novo. A figura do filósofo me lembra, sim, uma criança. Pelos tantos porquês e tantas perguntas “impossíveis”. Tanta fome de aprender, de entender. Acho que todos nascemos com essa inquietude. Todos vemos o mundo por uma primeira vez. 


Meu amor à filosofia começa daí. Dos meus porquês mais infantis e inocentes. Da minha curiosidade crua, pura. Lembro quando eu era pequena, com uns oito anos, minha mãe me mandava cartas anônimas com perguntas como: Quem é você? (Como no livro do Jostein Gaarder, O mundo de Sofia). E não vou dizer que eu amava, porque me deixava desesperada! Eu ficava desesperada por não conseguir saber quem sou eu ou de onde eu vim. E minha mãe tentava ajudar me dizendo que eu não sou apenas o meu nome. Eu não sou apenas uma filha ou uma criança. E aquilo me atormentava por dias e dias. Acredito que foi com a minha mãe que a vontade de me questionar nasceu e se manteve. E foi a partir daí que o mundo, as pessoas começaram a me causar espanto. Não é Aristóteles que coloca que a filosofia começa com o espanto? E Platão que diz que a filosofia começa com a admiração? A minha vontade de destrinchar verdades e de entender o que eu vejo começa com o espanto e a admiração que o mundo me causa aos olhos. Se nesse sentido, não sou mais uma criança, eu tento voltar a ser. 


É por essa vontade de compreender o mundo e a mim mesma que anseio por fazer a filosofia presente na minha vida. Ajudando-me a construir um caminho menos previsível. É difícil colocar a filosofia como um projeto quando falo em um tom completamente emocional. O que pretendo ao estudar filosofia é me fazer uma pessoa capaz de criar novas maneiras de olhar. Não me contentar com o que existe. Aprender com o que já foi dito, mas conseguir ir além. Perceber as “sutilezas” como disse um professor já nesse primeiro semestre de forma inspiradora. Ser capaz de transformar, de reaprender a ver o mundo, o tempo todo. 





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