A alma, segundo Rubem Alves, é uma paisagem. E como toda paisagem, solitária. Solitária porque cada um enxerga(enxerga com a alma) de um jeito. Cada um tem o seu sentir no olhar.
São poucos os que se refugiam nas próprias paisagens mais profundas. São poucos que o querem. São raros os que entendem a solidão como uma necessidade. Necessidade, eu afirmo, porque acredito que apenas nessas paisagens mais profundas do nosso ser é que nos encontramos. Esse lugar em que podemos ser nós mesmos. Sem nome, profissão ou qualquer rótulo que seja. É um lugar em que temos só o nosso olhar, nossa percepção. Porque o olhar dos outros é prisão. Solidão é como a liberdade de poder ser você, só você.
Tem hora que tudo o eu preciso é fugir de tudo e ficar sozinha. De todos os olhares que me transformam, que me moldam. Preciso respirar longe de tudo e de todos, preciso respirar o meu próprio ar. Se a solidão amedronta alguns eu não entendo como. O que dá medo são as pessoas, todas.