O apanhador no campo de centeio.
Terminei esse livro tem uns dois dias e ainda não consegui parar de falar como
o Holden, fora de brincadeira. Falando do título, o livro explica o porquê dele. E é lindo. O apanhador no campo de centeio. Holden lembra desse trecho de uma música. E em um dos diálogos que mais gosto do livro(o que mais gosto é quando ele conversa com um antigo professor) a irmã caçula diz a Holden que ele não gosta de nada. Pede a ele exemplos do que ele gosta. E que lhe dissesse o que ele queria ser. Holden não consegue exemplos, mas lembra desse trecho e diz que queria só ficar nos campos observando as crianças correndo e quando elas fossem cair, como em um abismo, o trabalho dele era apanha-las. Era tudo o que ele queria ser. E é bem bonito se você refletir e entender o que isso representa. Acho que cada um entende de um jeito. Eu entendi que a forma mais pura do ser humano é a sua infância. E a infância, junto com a vida é o campo de centeio em que elas correm e brincam. O abismo é envelhecer(envelhecer de alma, não de idade) e virar as pessoas que Holden diz que vão se degradando. E o trabalho dele era salvar essas crianças de fazer parte da podridão do mundo.
A verdade é que me identifiquei com muito dele.
E acho que todos se identificam com uma coisa ou outra, sempre conseguem ver
alguma coisa em comum, pq o Holden é a descrição perfeita de dias ruins. E quem
não tem dias ruins¿ Aqueles dias em que você não vê solução pra nada. Se sente
tão fora de lugar que se considera um extraterrestre. E odeia o mundo inteiro.
Ninguém presta. E aí bate uma solidão tão grande que você tem vontade de sumir,
porque todos te cansam, te dão preguiça. E você chora, quer fugir, mas antes
quer desesperadamente não se sentir tão sozinho.
Os motivos pra odiar o mundo e
todas as pessoas estão aqui, todos os dias.
Razões pra se sentir desesperançado, cético, deprimido, tá tudo aqui,
sempre. Quando não estamos bem é tudo o que conseguimos enxergar. E o mundo pode
te dar nojo as vezes. Se você parar pra pensar.
Mas a medida que fui lendo o
livro, vi que o que o Holden tinha não era só um dia ruim. Você percebe
claramente que ele não consegue superar a morte do irmão e fica um pouco
revoltado com as pessoas que estão vivas. E odeia todos porque não acha que chegam
nem perto de serem tão bons quanto Allie, seu irmão. E estão vivendo, desperdiçando
suas vidas com idiotices. E se você para pra pensar, você vê mesmo, tanta coisa
podre. Isso o deprimia, porque o seu irmão era uma coisa boa no mundo e merecia
estar vivo. Holden começa a se odiar, porque acha que Allie merecia estar vivo,
muito mais que ele.
Um pouco dessa personalidade do
personagem, não tudo, mas um pouco é tristeza pura pela perda. No mais, há sim,
aqueles que não se encaixam. Me sinto assim, na maioria das vezes. Mas aí
comecei a pensar(e isso por um sentimento que tive ao ler o livro) se é um
pouco de arrogância ou se realmente não me encaixo. Me senti mal com isso. Porque
quando comecei o livro foi a primeira impressão que tive do personagem. Que ele
era um pouco arrogante e nada era bom, ninguém era bom. E no começo, te juro,
fiquei irritada com ele. Porque ele julga. Por pouco que conhece, ele julga. E
será que é arrogância se sentir deslocado e sozinho e odiar o que está a sua
volta as vezes¿ Esse ceticismo, essa falta de fé nas pessoas, significa se
colocar acima delas¿ Pq quem sou eu pra dizer quem é bom ou ruim, quem não
presta, quem é o que. Sou tão pouco nesse mundo quanto qualquer um é,
individualmente. A gente precisa um bocado de outras pessoas, mesmo que sejam poucas,
pra fazer diferente. Pra ser diferente do que a gente critica tanto, mas digo uma
diferença que se faça notar,que te faça contribuir com o mundo. Porque ser
diferente pra você mesmo não transforma nada. Não ajuda em nada. Não é nada. E
se ninguém quer ser diferente junto com você, o que te resta¿ Ser o que você não quer¿ E seguir o curso que
a maioria te leva¿ Na verdade, a pergunta é: o que te basta¿