Sempre fui alguém que procurava histórias fantásticas pra minha vida. É, sempre tinha que ser fantástico, estrondoso, explosivo. Emoção demais...Sempre o extremo das coisas. A felicidade, felicidade ao extremo. Se eu tava triste...era uma tristeza que quase acabava comigo. Eu amava ou odiava. Nunca um gostar, ou...adorar. Nada de mais ou menos, pra mim. Se era paixão, era pra eu me entregar por inteiro. Pra sentir, de verdade. Impulsiva, essa era eu. Não conseguia ficar calada. Se alguém me chateava, dificilmente eu perdoaria. Perdão é forte. Perdoaria...só não esqueceria. Ou era uma pessoa completamente apaixonada ou totalmente indiferente. Sentia tudo ou sentia nada. E não sei porque estou falando no passado. Essa ainda sou eu. Talvez seja a vontade de quietude, agora. de um meio termo, de mudança. Não, não me entenda mal...Eu ainda gosto dos extremos...Gosto de pessoas intensas...gosto de sentir de verdade. Mas sempre senti pra dentro. Lá vem o passado de novo...eu sinto pra dentro. Quase não arrisco. Escolho a intensidade, sinto intensamente, mas minha insegurança também é extrema e me impede, às vezes de aproveitar. Isso me faz oscilar...de um extremo pro outro. Do não pro sim, do melhor pro pior...Por medo? É, sinto medo o tempo todo.Sabe o que me faz falta agora? um bom meio termo. Pra eu conseguir sentir na medida certa, com calma, com cuidado. Sem me entregar demais, sem me abrir demais, me expor demais,sem deixar o medo me impedir, sem exigir demais de mim e da minha vida. Mas a medida certa. Meio termo, muitas vezes é bom. To descobrindo que ser intensa, não é ser extremista.Ser intensa é saber sentir na medida certa, deleitar...Inspirar, expirar....
Ser o extremo, querer o extremo me faz oscilar, me faz bipolar. É explosão ou silêncio dentro de mim. Confusão ou total organização. Preto ou branco. Amor ou ódio. É um misto de contradições e opostos que me impedem de dar um fim em tudo que eu começo. Ou de fazer tudo o que eu planejo. Só quero me sentar aqui, quieta e fazer parte da lista de objetivos que eu tenho pra mim. Que por um animo impulsivo, me obrigo a fazer mais do que um ser humano aguentaria fazer e que por outro lado, me desanimam de seguir em frente. Por medo de não conseguir nada.
Quero parar de zanzar de um lado pro outro das minhas próprias emoções. Não quero ser feliz ou triste, quero ser os dois. Não quero ter alegria ou decepções, preciso de tudo. Não quero sentir e depois parar de sentir. Quero sentir sempre... Não quero histórias fantasiosas, utópicas... Sem essa confusão que eu apronto em mim. Eu só quero viver. Quero saber COMO. Quero arrumar a minha bagunça. Conseguir olhar pra mim e gostar do que eu vejo. Parar de procurar alguma coisa a mais e aproveitar a minha felicidade, os meus momentos, bons ou maus. No final das contas, tudo o que a gente procura é a felicidade.E ei! Essa eu já tenho! No meu meio...não em qualquer ponta oposta à outra. Mas no meio, em mim, comigo. No inteiriço das coisas, preenchendo, não finalizando ou começando. A felicidade não é começo nem fim. É um meio...um caminho. E você só entende e enxerga quando se faz parte dessa estrada, se coloca entre. Sem precisar de pressa pra chegar num final. Sem arrependimentos que te façam voltar pra um começo qualquer.
O meio termo é sentir cada passo. Andar macio, sentindo os pés tocarem a terra. Inspirar forte, aproveitando o vento no rosto e o cheiro de grama molhada. Expirar devagar, pra poder ter a pausa, o tempo que te faz consciente daquele momento. Daqueles momentos.
É eu quero o meio termo...sem a vontade desenfreada de aproveitar tudo e acabar aproveitando nada. Eu quero o meio termo. Entre nascer e existir: o viver.
O meio termo é sentir cada passo. Andar macio, sentindo os pés tocarem a terra. Inspirar forte, aproveitando o vento no rosto e o cheiro de grama molhada. Expirar devagar, pra poder ter a pausa, o tempo que te faz consciente daquele momento. Daqueles momentos.
É eu quero o meio termo...sem a vontade desenfreada de aproveitar tudo e acabar aproveitando nada. Eu quero o meio termo. Entre nascer e existir: o viver.