Pular para o conteúdo principal
“Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa.
Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera.
Estranho e que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é?
A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas?
A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar.
Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera?
E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará.
A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente.
Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.”

Caio Fernando Abreu

Postagens mais visitadas deste blog

Uma Confissão - Tolstói

lembranças

Promete-me uma coisa.Uma pequeninha que me atormenta. Promete-me que nada disso vai mudar... Isso que a gente vivencia aqui, agora. O que a gente construiu até hoje e que tantas vezes sentamos e fizemos a promessa de que sempre, pra sempre, pra todo o sempre, seria assim e que inúmeras vezes vimos, em outros casos fracassar. Que esse momento vai ser pra sempre real e não como uma lembrança distante. Sim, meu bem, eu sei que mesmo que como lembrança me traria um sorriso. Mas quero mais que um sorriso nostálgico me fazendo lembrar que passou. Quero a lembrança de algo contínuo que perdura e permanece. Refaz-se, transforma, forma e contorna, mas que se fortalece. Me conforta, é certeza minha, tão ínfima que nem precisa ser dita. Sabe, um dia, quando era mais moça, me fazia ter a certeza dessa lembrança certeira, permanente. De te-la, acalmava meu coração. De te-la, nem me permitia ter medo do fim. Fim... É, concordo. É relativo mesmo o fim. Mas hoje, não tão moça mais, a inocência me foi...

Sophia

 Tristeza faz parte da vida também. Ninguém é 100% pra cima o tempo todo. Acho que nosso corpo, nossa mente, precisam de um astral mais baixo em alguns dias. E não devemos ter vergonha disso. Viver a tristeza é tão importante quanto a alegria, nos faz perceber porque somos felizes. E não devemos ignora-la. E ainda um pouco além, devemos nos permitir sentir tristeza.É, sem medo de mostrar que fraqueja também. Nos faz humanos. E nos faz sensíveis à felicidade a nossa volta.Quando não contemos a tristeza, é mais fácil perceber a felicidade nos seus dias. Em coisas tão simples. Ser feliz é muito simples...É só prestar atenção! Hoje, por exemplo, fui acordada com um beijo no rosto pela minha irmãzinha, Sophia. E fiquei ali, sorrindo pra ela, ela pra mim. Até que: que foi ju? dormiu de novo de olho aberto? Levantaaa, vamos brincar!? Ela não sabe que me deu o dia de presente com aquele beijo. Por isso, imploro, prestem atenção! Em tudo ao seu redor. Sempre vamos achar aquilo que nos faz...