Saudade pra mim é doença. É físico. Começa com a ausência de alguém, de alguma coisa, alguma época. Começa com a ideia de não ter por perto. De não poder ver, tocar, ouvir, ser. Começa pela ideia, só uma ideia. Mas sentir saudade é físico. Dói, fere, corta, falta...É pior que chutar o dedinho do pé, pior que aquela dorzinha aguda de um corte na pele. Saudade dói...no âmago da alma mesmo.
Saudade é o tempo que passa devagar, a distância que parece infinita, a voz que você tenta ouvir e não ouve, o cheiro que passou. É o rosto que você quer lembrar em cada expressão, cada gesto. É o toque que te falta o tato. É a sensação perdida da presença. Ninguém foge. Ninguém se cura...
Saudade você sente de tudo. Da infância, de uma casa que você já morou, de uma música, família então...amigos...De como as coisas não te preocupavam tanto antigamente, da pessoa que já foi...ou da pessoa que quer ser...de uma lembrança, um amor, um lugar...Saudade. É uma foto que encontra por acaso na gaveta. Uma flor que deixou secar na página de um livro. É o fundo do baú...Saudade é essa agonia que sentimos em cada despedida, cada "até a próxima".
Saudade é não poder levar com você, guardar numa caixinha, grudar, levar na mala, estar junto. É não poder cuidar, olhar, zelar. Sentir que nem tudo tá completo, que nem tudo fica perto, nem tudo se guarda, carrega. A não ser, a muito contragosto essa saudade de tudo.